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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

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O Som da Bahia é o Axé Bass

Em meados de 2005 começa a surgir uma nova musicalidade na capital nacional do Axé music. A música "Made in Bahia" do DJ Patife, dava início a um movimento que viria a se tornar uma das cenas de bass music mais autênticas de nosso País.

Esta nova cena, cada vez mais forte em Salvador, está sendo chamada de Bahia Bass, mas tabém foi/é conhecida por Batifum ou Salvador ghetto bass. O estilo que foi se desenvolvendo com produtores locais incluindo novas referências de som, como o bass, o hip-hop, o grime, a guitarra baiana e a cultura do trio elétrico, tem como um de seus maiores nomes o DJ Mauro Telefunksoul (dos coletivos Pragatecno, Crokant e Naxapa Controle de Som), que desde o surgimento do movimento acompanha a intrigante mistura do pagodão, axé, arrocha e capoeira com bass music de qualidade.

Mauro Telefunksoul, o primeiro DJ nordestino a participar|
de uma competição internacional de DJ`s

Muitos produtores do movimento, já participaram da importante coletânea Hy Brazil. Além disso, o som do duo A.MA.SSA, um dos mais reconhecidos do estilo, já tocou na Radio 1 da DJ inglesa Annie Mac e o blog colaborativo Generation Bass lançou a primeira edição do EP Bahia Bass, produzido pelo selo Braza.
O mestre Telefunksoul é residente da festa Bass Down Low e do RedBull Thre3style. Juntamente com todos os seus trabalhos que fortalecem o movimento do trap, dubstep e drum 'n bass, ele acaba de lançar o segundo EP da série, com faixas de Som Peba, Braunation, Lord Breu, entre outros produtores dessa cena que valem a pena conhecer!








quinta-feira, 18 de setembro de 2014

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Tropkillaz - A Cachaça do Trap



Não é raro ver um fã de bass music ficar surpreso quando descobre que o projeto de Trap, formado pelos DJ's Zegon e Laudz, é 100% tupiniquim.
Com, segundo informações deles, aproximadamente 70% dos fãs no exterior, o Tropkillaz é como a cachaça: um produto brasileiro mais valorizado pelos gringos do que por nós mesmos!

A injustiça há de ser desfeita. A dupla recentemente fechou uma grande parceria com a Skol, e o produtor Zegon é a cabeça por trás da contratação de expoentes do rap e bass music nacional para o selo entitulado de Buuum. Um dos três da iniciativa Skol Music.

Zegon é uma lenda.

O Dj/Produtor Zé Gonzales, ou Zegon, tomou gosto pela mixagem quando criança nos anos 80, em casa mesmo! Apreciando as montagens caseiras que sua mãe fazia com seus discos, um mixer antigo e um gravador de rolo, o jovem Zegon adimirava o trabalho árduo de editar cortando as fitas com lâmina de barbear e juntar manualmente as pontas, que entretia sua mãe. 

Ainda jovem e envolvido com skate e a cultura de rua de SP, viu surgir os primeiros grupos de b-boys do País e a crescente cena do hip-hop nacional. A amizade que surgiu na época com o rapper Thaíde, o levou a conhecer um estudio de gravação e ver um DJ fazendo scratches pela primeira vez. A partir dali, o jovem Zé tomou a decisão e começou uma carreira como Dj de hip-hop que viria a ser brilhante!

Foi em um campeonato de skate que Zegon, já tocando nos eventos, conheceu o artista Marcelo D2. A amizade que foi selada com muitas conversas sobre música, resultou num convite para que o Dj tocasse com o ascendente Planet Hemp no lançamento do disco Usuário. Então foram 8 anos como DJ da banda. 
Zegon, com Black Alien (esquerda) e BNegão (direita). Planet Hemp


O sucesso do Planet Hemp ampliou tremendamente a fama do DJ. Com o fim da banda, Zé Gonzales se mudou para a Califórnia, a convite do amigo Mario C. (Beastie Boys, Bjork, Jack Johnson), onde buscou de reinventar e se aprimorar em produção musical.
Zegon fixou residencia em clubes importantes, produziu jingles e trilhas sonoras, tocou ao lado de lendas como Moby, Aoki, Diplo, Afrika Bambataa e DJ AM. 
Foi extremamente aclamado pela mídia internacional e trabalhou na produção de faixas de artistas da MPB, do Rap e do Rock, como Jorge Ben, Gilberto Gil, Racionais MC's, Sepultura, O Rappa e até o lendário Sabotage! Conquistou respeito do mainstream ao underground.

Em 2009, com o projeto N.A.S.A. (North America - South America) Zegon deu seu maior salto! Atingiu sucesso de proporções mundiais e seu disco "The Spirit of Apollo" conta com participações de nomes como Kanye West, David Byrne (Talking Heads), M.I.A., John Frusciante e muitos outros.

Confira também o programa "Na Rota do Vinil", apresentado pelo DJ/produtor.

Um novo sucesso inesperado.

Após se conhecerem no Twitter, quando Zegon defendeu o jovem curitibano Laudz por achar injusto uma segunda colocação na Liga dos Beats, uma amizade virtual foi formada e culminou numa visita de Laudz ao velho produtor que passava por uma fase "travada" como ele mesmo diz.

A visita deu gás novo para Zegon e muitas referências para o jovem DJ curitibano. Juntos produziram uma faixa de Trap, que quase como "de brincadeira" lançaram sob o nome de projeto: Tropkillaz. Ficaram supresos com a rapidez e a quantidade de visualizações que o material gerou! 
A logo que, segundo Zegon, foi criada "de bobeira"

Por conselho de Zegon decidiram não ficar muito tempo encima das músicas buscando defeito, e se desafiaram a lançar uma faixa por semana. A track "Mambo", uma das primeiras, explodiu na Rússia como uma espécie de Harlem Shake, onde as pessoas faziam vídeos dançando para divulgar na internet. A onda culminou em um inesperado convite para se apresentarem em Moscou. Era o Tropkillaz saindo do estúdio!

Com diversas turnês agendadas pelo mundo, produções em colaboração com o maiores nomes do Trap mundial, música tocada no intervalo do SuperBowl (evento televisivo mais assistido do mundo), e considerados uma das 10 maiores duplas do trap mundial pela Run The Trap, o Tropkillaz está cada vez maior pelo mundo, e ainda que timidamente, cada vez maior pelo Brasil também...

O Tropkillaz faz um Trap de qualidade inquestionável, com uso de instrumentos analógicos e referências incríveis tiradas da cultura brasileira e demais países latinos. Vale a pena prestigiar esse brilhante "produto nacional".


Mixtape:




segunda-feira, 8 de setembro de 2014

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Trap no VMA? A popularização de um gênero obscuro.

No dia 24/08 acontecia em Inglewood, California, a 31ª edição do MTV Video Music Awards.
O evento, que premia os trabalhos de alguns dos maiores nomes da música anualmente, teve esta sua última edição marcada pela presença constante de um gênero musical até então desconhecido nas cenas mais "Pop" e "mainstream" que a celebração costuma contemplar. Era o Trap!

História

O Trap, para os que (ainda) não conhecem, é um gênero de música eletrônica baseado na "808 Drum machine", da Roland. Marcado pela batida forte (doubles e triple-times), vocais desacelerados e sintetizadores em camadas, este gênero não é tão atual quanto a maioria das pessoas pensa.

808 Drum Machine,
lendária na produção musical
Com origem por volta dos anos 2000, o Trap surgiu do rap americano sulista também conhecido como "Crunk", ligeiramente diferente da forma que vem tomando com a incorporação de elementos eletrônicos - nesta atual onda de proporções mundiais. O nome do estilo, remete aos lugares onde eram negociadas drogas, provavelmente pelo fato de que os fãs e críticos passaram a chamar de "Trap Rappers" os pioneiros do gênero que compunham letras principalmente sobre negociação e consumo de drogas. Neste primeiro momento se destacam artistas como UGK e Three 6 Mafia.

A primeira onda de crescimento do sucesso do Trap veio por volta do ano de 2003. Alguns dos principais responsáveis por essa expansão podem ser considerados o Rapper T.I. (quando lançou o álbum "Trap Muzik", com mais de 2 milhões de cópias vendidas) e Young Jeezy (chegou a ser número dois na US Billboard 200). Em 2005 também se destaca o game "Need for Speed Underground", que contava com uma das faixas do álbum de T.I. "apresentando" o gênero para um público diferente.

O formato e popularização do Trap que se vê crescendo ao redor do globo hoje, pode ser considerado iniciado por volta do ano de 2010. O produtor Lex Luger rompeu com a "obscuridade" do gênero, produzindo mais de 200 faixas influenciadas pelo Trap entre os anos de 2010 e 2011 para muitos artistas reconhecidos, tais como: Kanye West, Wacka Flocka Flame e Jay-Z. Sua técnica marca-registrada, reconhecida pelos "808" batendo pesado, com sintetizadores e metais em timbres sinistros como os de um filme de terror de Kubrick, sofreram diversas tentativas de cópias e releituras por parte de outros produtores de rap famosos da época.

O Trap na música eletrônica e a expansão mundial.

Por volta de 2012, com a evolução de novos estilos de música eletrônica, muitos produtores incluíram elementos do trap em suas músicas. Nomes de sub-gêneros como "Trap House" e "Trapstep" foram surgindo e se popularizando a medida que os artistas combinavam baterias do estilo Trap com os sintetizadores consagrados na EDM. DJ's/produtores como Diplo, Flosstradamus e Yellow Claw ganharam a atenção de fãs da música eletrônica ao redor do mundo, ficando responsáveis também por criar alguma confusão na distinção entre o Trap baseado em rap tradicional e o Trap EDM, que para muitos ficou sendo reconhecido apenas como uma "segunda geração do Dubstep", tanto pela semelhança nos drops, quanto pelas muitas faixas feitas em 140 Bpm.

2013 foi um grande ano para o Trap! Após um Vídeo "fanmade" da música "Harlem Shake" criada pelo produtor Baauer, se tornar um meme na internet, milhares de pessoas ao redor do mundo conheceram este som e fizeram seus próprios "Harlem Shakes", inclusive no Brasil.
Com a descoberta do estilo pelo grande público, o Trap foi ganhando milhares de fãs e centenas de produtores por todo o planeta, principalmente com remixes de músicas Pop e EDM's famosos (os chamados "Trap Mix") e a inclusão de DJ's do gênero em um palco feito especialmente para isso, no Ultra Music Festival - um dos maiores festivais de música eletrônica do mundo.


Diplo, o embaixador do Trap EDM

Diplo, na capa da Billboard
Thomas Wesley Pentz, ou Diplo, é o mais bem sucedido produtor do gênero no mundo. Criador do selo Mad Decent, que assina com os melhores produtores do gênero (como: Dillon Francis, RL Grime, DJ Snake e Flosstradamus) e que inclusive lançou o brasileiro Bonde do Rolé, hoje faz em média 300 shows por ano e é considerado um dos mais dinâmicos músicos da atualidade. Recentemente foi chamado de Midas (aquele que transforma em ouro tudo que toca) pela Billboard americana.

O Dj que pesquisou e levou para muitas pistas dos EUA o som dos bailes funks brasileiros e os ritmos caribenhos (vale a pena conferir seu documentário: Favela on Blast), foi descoberto pela cantora M.I.A., com quem teve um romance, e após uma colaboração de sucesso sua carreira decolou.

Partindo disso, Diplo colaborou com Shakira, Kid Cudi, Bruno Mars, No Doubt, Snoop Dogg, Pharrell entre outros, carimbando o seu passaporte para o sucesso internacional. Fez fama com seu projeto solo e também como dupla do produtor Switch no "Major Lazer", que popularizou muito os elementos do Trap e Moombahton na música mundial além de "cimentar" a inserção do produtor na cena Pop, ao ter a faixa "Pon de Floor" pesadamente sampleada por Beyoncé em "Run the World".
Além de ter diversas indicações ao Grammy, o produtor recentemente firmou um projeto batizado de "jack U", com o também queridinho da academia: Skrillex, e anunciou estar produzindo o novo disco de ninguém menos do que Madonna.

Cada vez mais Pop

Na trilha sonora de jogos de vídeo-game e também em filmes, o Trap vem ganhando cada vez mais espaço na cultura popular.
As chamadas "Divas do Pop" também se renderam ao estilo em faixas produzidas ainda em 2013, como o estrondoso sucesso: Dark Horse, de Katy Perry e Jewels & Drugs da Lady Gaga. Outra evidência ainda mais clara da adoção do gênero pelo Pop aconteceu no recente MTV Video Music Awards, que tocou samples de Trap em quase todas as vinhetas da apresentação do evento, e também nas faixas escolhidas apara as apresentações ao vivo das artistas mais aguardadas da noite.

Confira:





Beyoncé, a mais aguardada da noite, solta um Trap pesado em sua nova faixa "Flawless".