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sexta-feira, 11 de julho de 2014

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SIC Recomenda: Sharon Van Etten - Are We There



Are We There é o quarto disco da nova-iorquina Sharon Van Etten e é um daqueles álbuns magníficos, que consegue transformar o luto e a melancolia de desilusões românticas em algo de escala muito maior, cheio de profundidade lírica e beleza. O trabalho pode parecer exigente as vezes, demandando ser ouvido com mais cuidado. Mas, ao fim, é quase certo que se terá a sensação de que os quase 40 minutos partilhados com Sharon em suas músicas é parte de algo muito mais significativo e forte.

O álbum traz a compositora em total comando de sua voz como instrumento, explorando as multitudes da escuridão de uma forma parecida com Stuart Staples (Tindersticks), Nick Cave e Matt Berninger (The National). Em Are We There, Sharon é uma mulher que sabe exatamente o que quer oferecer aos ouvintes e que não tem medo de acompanhar os mínimos momentos iluminados de suas músicas com milhares de nuvens escuras. Suas canções mais sutis apontam a um entendimento bem afiado tanto do que impulsiona quanto o que degrada longos relacionamentos, e em canções mais intensas como "Your Love Is Killing Me" e "You Know Me Well", Van Etten consegue interpretá-las com um comando forte impressionante, sem amarra alguma.

Van Etten enfrenta a dor de um coração partido de uma forma bastante aguda, destilando sentimentos complexos por vezes em canções lindamente simples, mas que, quando exigidas, podem transformar-se em minutos da mais pura força lírica e musical. Um disco essencial, para momentos de fossa ou não.


quarta-feira, 9 de julho de 2014

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SIC Recomenda: The War on Drugs - Lost In The Dream



Lost In The Dream é apenas o quarto álbum do compositor Adam Granducial à frente do The War on Drugs, mas tem tudo para ser o melhor álbum que você irá ouvir em 2014. É um disco que leva o rock clássico além, sem os artifícios ou as explosões do gênero, mas que ousa colocar num mesmo conjunto de canções influências que vão de Bruce Springsteen e Bob Dylan a Spiritualized e Tim Hecker. Cada audição é uma experiência diferente, uma descoberta em meio aos detalhes, às camadas sonoras. Granduciel não apenas reflete ou comprrende os problemas de sua vida nas letras: ele os descobre. É como se o disco ganhasse uma nova vida a cada execução.

As músicas do álbum são longas, mas nunca exaustivas. Devagarinho elas revelam sua grandiosidade. Um acorde simples ganha corpo e transforma a música totalmente, como o piano em "Suffering", o violão em "Burning" ou o orgão em "Red Eyes". É um disco para ouvir no amanhecer, no entardecer ou em qualquer canto obscuro em que você eventualmente se encontre.

Em Lost In The Dream, o sofrimento de Granduciel vira, de certa forma, nosso júbilo: o disco pode ter nascido sob muita névoa e escuridão, mas o resultado logo nos transporta para exatamente o lado oposto: onde há muita luz e uma boa dose de otimismo.


terça-feira, 8 de julho de 2014

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SIC Recomenda: Sia - 1,000 Forms of Fear



Em 1,000 Forms of Fear temos provavelmente aquele que é o melhor trabalho da carreira da australiana Sia Furler. Como hitmaker com aversão a fama, preferindo criar sucessos a "big names" do pop mundial, é sempre bom vê-la confortavelmente soltando sua voz sobreposto a um tipo de pop mais cuidadoso e bem trabalhado (mesmo que seja sempre de costas à platéia).

Não há nada de ultra experimental aqui: é um disco de pop bem contemporâneo, de produção impecável. Mas Sia sabe trazer muito bem sua experiência na música tanto sônica quanto liricamente. Após quase desistir do cenário musical de vez na sequência do disco We Are Born de 2010, a australiana escreveu seu novo trabalho lidando com problemas de depressão e vício, o que faz de 1,000 Forms of Fear seu disco mais obscuro até aqui. O primeiro hit, "Chandelier", é um bom exemplo de como foi a luta de Furler para manter a sobriedade e o auto-controle frente à fama. A cada grito abafado, a cada alongamento vocal, a cada estalo de acordes: a paixão na voz de Sia é quase palpável.

Em 1,000 Forms of Fear, Sia eleva o nível de entrega vocal e refina seu pop para criar um som mais distintivo. Ela reduz a migalhas qualquer sentimento de culpa que você pode ter sentido em aumentar o volume no máximo pra dançar e cantar de forma incoerente dentro de seu quarto ou soltar a voz dentro do carro, porque isso é exatamente o que a Sia quer que você faça.


segunda-feira, 7 de julho de 2014

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SIC Recomenda: The Antlers - Familiars



A banda brooklyniana The Antlers chega a seu quinto disco com um trabalho que demanda ser conhecido de dentro pra fora. Com musicidade encorpada, encontrando espaços para metais e pianos em meio à lúgubre voz de Peter Silberman, trata-se de um álbum recompensador, em que o The Antlers mergulha em suas feridas e encontra pedaços de redenção e esperança.

Em resumo, é o disco mais catártico e edificante do trio, indicando que os demônios que assombraram o compositor e vocalista Peter em discos como Hospice (2009) e Burst Apart (2011) já estão em retirada. O The Antlers mais uma vez faz um trabalho que beneficia ouvintes que direcionam sua atenção à mistério, elegância e a pitadas de esquisitice quando mergulhados em seus headphones.